professor de jiu jitsu

Como saber quem é um bom profissional de Jiu Jitsu?

Lembro como se fosse hoje o dia que comecei a treinar jiu jitsu, eu tinha 13 anos e fui levado por um amigo de escola a uma pequena academia no Posto 6 em Copacabana.

A Academia era originalmente uma academia de judô do professor Carlos de Tarso e quem dava aulas de Jiu jitsu era um aluno do mestre Carlson Gracie, o Toninho.

A academia era bem pequena acredito que o tatame não tivesse mais do que 50m2.

Éramos praticamente a primeira turma de jiu jitsu ali e durou menos de 1 ano até que academia encerrasse as atividades.

Um detalhe que só fui saber muitos anos depois foi que o meu professor tinha sido também o primeiro professor que o Jacaré teve na academia Gracie, isso mesmo o Toninho havia também iniciado o Jacaré no jiu jitsu.

Nesse quase 1 ano em que treinei lá (recebi faixa amarela e laranja) eu nunca tive que esperar o professor, nunca o vi levantando a voz para um aluno, nunca o vi sem que o kimono estivesse impecavelmente limpo, nunca vi nenhum tipo de falta de respeito ou indiferença para com os alunos, pais ou visitantes, era um ambiente extremamente agradável.

A academia acabou e eu fui forçado a mudar, o Toninho foi dar aulas muito longe da minha casa e um amigo já campeão de jiu jitsu na época me indicou o Jacaré que havia recém inaugurado sua escola em Ipanema.

Na volta do meu curso de inglês 2X por semana eu parava na academia que era no meio do caminho para minha casa.

Era também uma academia de judô onde o Jacaré tinha alguns horários.

Diferente da academia do Toninho a do Jacaré prosperou, ele pode comprar toda a academia e oferecer muito mais horários, estava fundada a Jacaré Jiu Jitsu em 1985.

Nessa época eu já estava com 15 anos e havia recebido minha faixa azul.

Comecei então a auxilia-lo nas aulas, iniciantes, crianças e até mesmo nas de avançado.

O padrão de respeito ao aluno continuava o mesmo, ele era o foco da atenção e era pra ele que a academia funcionava.

As competições começaram a aparecer com mais frequência e fui sendo apresentado a um diferente perfil de professor que de certa forma conseguiu também algum destaque, embora nunca tenha conquistado o real sucesso.

Era o professor “campeão”, mais preocupado com o seu ego do que com o serviço prestado, mais preocupado com o status de faixa preta do que com a evolução do aluno.

Professores em sua essência precisam trabalhar na contra mão da vaidade e da egotrip, precisamos estar ali para os outros.

Uma vez conversando com amigos sobre como o jovem deveria escolher o melhor trabalho ouvi uma sugestão que achei muito sábia, as pessoas deveriam escolher para trabalhar o que elas podem fazer de melhor para o outro, deixar o que você mais gosta de fazer para suas horas de lazer, é verdade que as vezes isso se confunde no jiu jitsu porque as pessoas não entendem que treinar jiu jitsu e ensinar jiu jitsu são coisas muito distintas.

A dificuldade se dá pois o campeão de certo modo precisa de uma dose de egoísmo e de se colocar em primeiro lugar quando esta na busca da excelência em performance, em contrário o professor precisa estar 100º solicito e preocupado com a evolução dos outros, tudo é jiu jitsu mas são mindsets totalmente opostos.

Hoje tenho contato com centenas de professores e gestores de academia através do VIVER DE JIU JITSU e acredito que esse entendimento ainda é a maior barreira para o sucesso deles, os impede de ter a abertura de aprender coisas novas e a humildade de reconhecer que ele não é o super homem que ele tentou se mostrar e que obviamente não precisa ser, ninguém é.

Fazer seu aluno ser a razão da existência da sua escola é o caminho mais certo para se ter uma academia de sucesso que seja referência onde você escolheu viver e que terá o poder de transformar tantas vidas para melhor.

Essa na minha opinião é a verdadeira essência de ser professor de Jiu jitsu. Fazer pelo outro e para o outro.

O Resultado disso é que seus alunos devolverão de forma multiplicada não só a você mas também entre eles e isso cria uma corrente que explica a maravilhosa sensação que sentimos por estar com nossos amigos de tatame quando fazemos parte de uma academia de jiu jitsu de verdade.

E você? Da aula pelos outros ou por você apenas?

 

Abraços

Fabio Gurgel