JIU JITSU SOB MEDIDA – AULAS PARTICULARES E SUA IMPORTÂNCIA

                                                 GM Helio Gracie ensinando seu filho Royler Gracie

Jiu Jitsu sob medida.

Quando me decidi por ser professor aos 15 anos de idade costumava observar todos os professores de Jiu jitsu e como eles trabalhavam, o meu professor é claro sempre foi minha maior referência mas nunca a única fonte de informação.

Lembro que as Segundas, Quartas e Sextas ele saía para treinar na academia do Rickson e não tínhamos aulas com ele no período da manhã, pois o treino de avançados lá acontecia as 11hs.

Terça e Quinta a academia Gracie só funciona para aulas particulares.

Pensei, nossa que interessante dois dias da semana a academia é exclusiva para alunos particulares, os professores devem ganhar um bom dinheiro fazendo isso.

Incentivei o Jacaré a começar as aulas particulares em nossa academia e virei seu auxiliar direto, eu tomava as quedas as chaves de braço e os estrangulamentos por ele e em contra partida aprendia como tratar esse aluno e como era a dinâmica dessas aulas.

Quando já era faixa roxa comprei uma aula particular na academia Gracie para ter a experiência, fiz uma aula muito legal com o Mestre Rolker Gracie, que me ensinou alguns macetes e ainda deu um rolinha comigo.

Saí de lá radiante e entendi como funcionavam as aulas por lá.

Assisti muitas aulas também do Mestre Sylvio Behring onde aprendi demais, ia para a academia Corpo 4 no Rio de Janeiro sentava no tatame de manhã cedinho e observava ele ensinar. As vezes ele me usava como auxiliar as vezes eu só olhava.

Sempre que eu tinha uma oportunidade de ver alguém ensinando uma aula particular eu estava lá, e pude aprender muito em como conduzir esse tipo de aula, que tipo de estímulos os alunos precisavam, como treinar com eles, como ouvi-los e etc…

Quando montei minha primeira turma no Clube Federal no Rio de Janeiro comecei a oferecer aulas particulares para os alunos que queriam algo mais exclusivo.

Em pouco tempo eu tinha uma quantidade de alunos particulares que me faziam trabalhar muitas horas porém me davam quase o mesmo faturamento dos alunos de grupo.

Anos depois já faixa preta e morando em São Paulo continuei construindo essa carteira de alunos exclusivos e dando a eles um Jiu Jitsu sob medida para seus objetivos e biótipo físico, ajudando -os a montarem o tipo de jogo que fosse mais eficiente para eles sem deixar de lado o básico a defesa pessoal e os fundamentos.

Tudo era feito no tempo deles sem pressa.

O Jiu Jitsu se tornava mais democrático e atingia pessoas que não estavam dispostas e entrar em uma aula coletiva totalmente voltada para competição como era naquela época e que já debati aqui com vocês em outros artigos e vídeos.

Nessa época eu chegava a dar 12 aulas por dia sendo pelo menos 8 particulares.

Era extremamente cansativo mas eu sabia que estava criando uma cultura em minha academia que ficaria para sempre.

Ensinei meus professores a fazerem o mesmo e em um determinado momento decidi que era hora de sair de cena.

Larguei o faturamento de aulas particulares para organizar minha academia como negócio.Deixei meus professores encarregados de meus alunos e de tantos outros que se inscrevem todos os meses em minha academia.

Hoje são mais de 50 clientes/alunos nesse modelo de plano em minha academia e responsáveis por 30% de nosso faturamento.

Temos 2 salas exclusivas para essas aulas e abrindo a terceira no inicio do ano tamanha é a procura pelo Jiu jitsu sob medida.

O que aprendi em todos esses anos em milhares de aulas particulares e diferentes tipos de aluno, (vários que levei da branca a preta) foi que cada aluno tem seu objetivo, sua limitação e suas preferências e que o Jiu jitsu deve ser ensinado respeitando essas diferenças sempre que possivel.

Saber moldar o Jiu Jitsu para cada um deles me fez um professor muito melhor.

Me permitiu entender melhor a jornada do aluno o que posteriormente me ajudou na construção de nossa metologia (hoje espalhada em 270 escolas em 21 países)

Se sua academia não oferece esse tipo de aula talvez seja o caso de você repensar o seu modelo de negócio.

Se você não gosta de dar esse tipo de aula (conheço vários que não gostam) permita que outros façam em seu lugar.

Mas permita que sua academia seja um lugar para que todo e qualquer aluno se sinta bem em estar, certifique-se que você entrega o Jiu Jitsu para o mais diversificado publico possível.

Seu negócio agradece e o Jiu jitsu também!

Um abraço

 

 

Fabio Gurgel

4X World Champion

Hall of fame IBJJF

Alliance co-founder and CEO

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