SUA ACADEMIA AINDA TEM O “CORREDOR POLONÊS” NA HORA DA GRADUAÇÃO?

 

Eu talvez tenha sido um dos professores que mais erraram no jiu jitsu desde que comecei a dar aulas aos 15 anos de idade, já errei em não entregar uma boa aula ao meu aluno por não entender o que ele precisava, já errei ao exagerar no aquecimento e exaurir meus alunos antes mesmo do treino começar, já errei em querer que as coisas fossem sempre do meu jeito (afinal eu era o professor) entre tantos outros, porém talvez o meu maior erro e que deve ter me custado centenas de alunos foi o corredor polonês.

Tudo começou como uma brincadeira em minha academia no Clube Federal onde comecei a dar aulas sozinho em 1988, (na academia de meu mestre não havia esse costume), logo não sei bem da onde eu tirei essa terrível idéia  mas o fato é que a usei por muito tempo e ela se espalhou pelo jiu jitsu em uma velocidade assustadora, possivelmente outros professores como eu começaram por si próprios  e talvez outros tantos eu de alguma forma tenha influenciado, a esses eu peço minhas sinceras desculpas, porém o fato é que esse ritual se tornou parte do ambiente das academias de jiu jitsu os alunos  suportavam aquilo e  até gostavam pois parecia um teste como aqueles que vemos em filmes de guerra onde os quartéis militares preparam seus soldados para enfrentar as dificuldades que estão por vir, os alunos se sentiam merecedores daquela nova faixa por terem suportado aquele espancamento que no fundo não tinha nenhum propósito.

O tempo passou e as academias de jiu-jítsu voltadas cada vez mais para a competição e priorizando sempre a participação de alunos casca-grossas não sentia nenhuma necessidade de mudar a festa de graduação afinal ser casca grossa era uma quase obrigação, e o que era um simples corredor para um cara acostumado a sofrer no treino de jiu jitsu para competição?

Um belo dia tive uma experiência que me fez repensar tudo a esse respeito, eu já vinha estudando e cada dia mais entendendo que estávamos nos afastando do que o jiu jitsu precisava em termos de oferecer o jiu jitsu para todos e não só apenas para a turma de competição, porém em uma festa de graduação tivemos a presença da mãe de um aluno que iria se graduar naquele dia, ela estava a principio toda orgulhosa provavelmente esperando uma glamurosa cerimônia (alias como deveria ser)  quando de repente o “corredor” foi formado, gritos de Uh vai morrer eram entoados por todos os quase 100 alunos que estavam no tatame, e lá foi o garoto passar por aquela insanidade, a mãe ficou apavorada e disse ao pai que deveriam denunciar aquilo em uma delegacia! O pai estava dividido entre o orgulho de ver o filho vencer aquela situação e conquistar a tão sonhada faixa e o de acalmar a mãe, o filho foi graduado e sua felicidade fez com que a mãe desistisse de prestar queixa e aceitasse apenas parabenizar o filho, porém aquilo para mim foi a gota d’água e a comprovação de que algo muito errado estava acontecendo e que era preciso mudar.

Nunca mais permiti que houvesse isso em minha academia, pelo contrário agora o teste não é de resistência mas sim de técnica, os exames de faixa tomaram o lugar do corredor polonês e o resultado é indiscutivelmente melhor, meus alunos são submetidos a um teste justo e que os confronta com o que realmente interessa se minha escola esta conseguindo ensina-los um bom jiu-jítsu.

Essa mudança não aconteceu de forma isolada e por isso não posso atribuir o crescimento de minha academia somente a ela, já contei para vocês algumas mudanças que implementei em minha escola e que todas juntas produzem o resultado que tenho hoje mas uma certeza eu tenho, o Corredor Polonês deveria ser abolido de todas as escolas de jiu jitsu do mundo.

E a sua academia como funciona?

um forte abraço e até a proxima

Fabio Gurgel

69 opiniões sobre “SUA ACADEMIA AINDA TEM O “CORREDOR POLONÊS” NA HORA DA GRADUAÇÃO?

  • 10 de outubro de 2017 em 14:43
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    Sou a favor do correr polonês sim,desde que na aja excessos na brincadeira.

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    • 10 de outubro de 2017 em 22:36
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      O problema é que começa assim, mas uma hora ou outra acontecerão problemas.

      Resposta
      • 11 de outubro de 2017 em 18:00
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        Sou Faixa Preta formado pelo então Faixa Vermelha Jorge Pina Barbosa falecido no último 04 de agosto…. Somos Oriundos do Mestre Fadda !!!
        Meu Mestre nunca aceitou isso e sempre achou um desrespeito com o Atleta e com a Família deste !!!
        Sou da cidade de São Lourenço sul de Minas e aqui na minha academia seguimos sim a TRADIÇÃO do respeito nas artes Marciais !!!
        RESPEITAR O ATLETA E SUA FAMILIA !!!
        (NAO DAMOS FAIXADAS EM NINGUEM )
        E NEM POR ISSO TENHA CAIDO NOSSO NIVEL TECNICO E APETITE PELO COMBATE !!!
        ABRAÇÃO – ABILIO
        EQUIPE KITO RYU
        OSSS !!!

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        • 20 de junho de 2018 em 02:47
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          EXATAMENTE, RESPEITAR O ATLETA.
          BANALIZAR A SITUAÇÃO COMO DIVERSÃO, E TRANSFORMAR EM TRADIÇÃO?

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  • 10 de outubro de 2017 em 14:58
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    Sou a favor também, nada demais, se fosse balé tudo bem, mas não, no corredor é onde o cara não tem vaidade, tem que passar e boa, mas cada um cada um

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    • 10 de outubro de 2017 em 16:57
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      Jura que vc tá respondendo isso? Se vc conhecesse os treinos de ballet, como ficam destruídos os pés e dedos das bailarinas não falava uma besteira dessas…. Acho legal a tradição do corredor, mas a maioria dos alunos abusam da força na hora de acertar os colegas, já ví casos em
      que as costas do atleta até sangrou… Infelizmente não tem como não ter excessos, sempre tem o cara do braço pesado que vai machucar o colega…

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      • 11 de outubro de 2017 em 16:17
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        Já fui um dos que tirou sangue de muito aluno na faixada.
        Mas o Jiu Jitsu mudou e na nossa academia vou abolir o corredor polonês…

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    • 11 de outubro de 2017 em 01:27
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      Eu acho vaidade! Uma demonstração de “hombridade ” desnecessaria. Na minha academia treinam mãe e filhas juntas. Sinceramente vai contra os meus principios bater na minha mãe. Acho que ia ficar com vergonha de mim mesma pelo resto dos meus dias. Sou contra.

      Resposta
    • 11 de outubro de 2017 em 01:28
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      Eu acho vaidade! Uma demonstração de “hombridade ” desnecessaria. Na minha academia treinam mãe e filhas juntas. Sinceramente vai contra os meus principios bater na minha mãe. Acho que ia ficar com vergonha de mim mesma pelo resto dos meus dias. Sou contra.

      Resposta
  • 10 de outubro de 2017 em 15:06
    Permalink

    É algo a muito arraigado no conceito marcial, mas os exageros é que estragam a passagem. A ideia é batizar, e a cada nível isso ocorre, mas dar uma “faixada” nas costas e nas pernas, nunca feriu ninguém. Sempre teve o respeito em manter a integridade, como não bater no rosto, genital canelas pra evitar quedas. O meu Shihan de Karatê, também fazia e participava, tudo com limites. O que entendi nesse, texto foi que além de uma excitação exacerbada, era usada violência ao extremo aí infelizmente perdesse a conduta e o conceito do Budô.

    Resposta
    • 10 de outubro de 2017 em 15:11
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      Caro Richard,
      Essa questão da tradição no jiu jitsu é bastante questionável uma vez que eu por exemplo nunca passei em corredor, não era uma prática no meu tempo nem na academia Gracie, logo isso começou como relato no texto como uma brincadeira em minha academia, é possível que em outras a mesma época mas não há o que se falar em tradição. Pode claro ser divertido e sempre foi no entanto é muito perigoso pois o professor não tem o controle de onde vai a faixada e se atingir os olhos como já aconteceu em vários relatos, (ainda bem que não em minha academia)
      Quem gosta e preferir continuar sem problema algum mas n˜åo com o argumento da tradição pois isso não procede, obrigado por seu comentário

      Resposta
      • 10 de outubro de 2017 em 15:58
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        Prezado Prof Fabio Gurgel,

        Em primeiro lugar, gostaria de sauda-lo e parabeniza-lo por abordar da forna como abordou, o tema “ Corredor Polonês “. Sou faixa-preta de dois professores que tiveram sua formação também na Carlson Gracie ( José Mario Sperry e Walter Mattos) pioneiros do Jiu-jítsu aqui no Rio Grande do Sul. E, lembro-me bem, que desde a minha graduação à faixa azul, la pelo ano de 95 ou 96, já era tradicao na minha academia, enfrentar o famigerado Corredor Polonês. Naquela epoca muitos outros excessos eram cometidos nos treinos, que em muitos casos resultaram em graves lesoes, como por exemplo as hernias de disco que conquistei e me rendeu uma cirurgia na coluna! Concordo que os tempos mudaram e ate mesmo o crescimento quase que descontrolado do jiu-jítsu, tornando-o um produto comercial valiosíssimo e como tal, com necessidades de administração adequadas. E comercialmente, submeter um aluno, que hoje em dia a grande maioria são primeiramente clientes, é uma prática desnecessária pois para esses, esse ritual quase chega ser uma agressão. Entretanto, àqueles que passam por um corredor polonês considerando-o um rito de passagem e uma vitoria pessoal , esse ritual valida cada gota de suor deixada no tatame! E no meu caso, não guardo nenhum ressentimento ou dor por cada faixada que tomei nas costas da faixa azul à faixa marrom! E se o corredor polonês foi uma invençao sua e surgiu como uma inocente brincadeira na sua academia, essa é na minha opiniao mais uma das inumeras contribuicoes que você ja prestou ao Jiu-jítsu brasileiro!
        Oss!

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      • 11 de outubro de 2017 em 11:34
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        Grande Mestre, lendo sua resposta a um dos comentários, lembrei do meu exame para a Faixa Azul onde caí no meio do corredor e fui atingido acidentalmente no olho esquerdo. Quase fiquei cego, mas a festa tinha que continuar. Enfim….eu sempre havia me questionado se o corredor polonês era uma tradição no Jiu-Jitsu. Hoje liderando uma equipe vejo que posso mudar tal sistema de graduação, não por fraqueza ou qualquer outro argumento que possam levantar e sim por não querer ter nas minhas mãos o peso de ter destruído o sonho de alguém. Ficar cego, ter as costas sangrando, ser atingido nas regiões genitais nunca foi e nunca será sinônimo de ser casca grossa. Enfim…..obrigado pelos esclarecimentos. Oss

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      • 20 de junho de 2018 em 02:55
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        Oss, exatamente isso, bater no olho, onde está o limite da “diversão” à agressão?
        PUBLIQUEI NO MEU FACE, O TEU RELATO, E CREIO QUE ESTA “CULTURA”, DEVERIA SER ABOLIDA TOTALMENTE, E PUNÍVEL PELA FEDERAÇÃO.
        UM GRANDE ABRAÇO, PELA BRILHANTE INICIATIVA, ……OSSS FABIO.

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  • 10 de outubro de 2017 em 15:11
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    Evolução profissional e espiritual. Parabéns.

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  • 10 de outubro de 2017 em 15:11
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    Boa mestre eu sou um cara que gosta de fazer isso mas vou rever meu conseitos osss

    Resposta
  • 10 de outubro de 2017 em 15:21
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    No meu ponto de vista buscamos melhorar sempre em todas a áreas da nossa vida, e sempre achei o corredor polonês um momento de regressão da espécie humana dentro do jiu-jitsu

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  • 10 de outubro de 2017 em 15:23
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    Corredor virou uma tradição , ao meu pensar e uma brincadeira que deveria ser extinta das cerimonias de graduação pois no dia da graduação e normal ter convidados e vários outros alunos que se reuni para graduar turmas diferentes o números de aluno e grande no dia da graduação ; talvez passar no corredor no primeiro dia de treino com a nova faixa seria uma coisa mais tranquila entre os amigos de treino e também deveria ser uma coisa facultativa não obrigado a fazer entrar no corredor quem quiser .

    Resposta
  • 10 de outubro de 2017 em 15:30
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    Oss! Boa tarde Mestre Fábio Gurgel. Tirando o corredor e falando de professor para professor (sou professor de História). Eu também sou passível de erros na hora de ensinar. Quantas e quantas vezes eu errei dm minha profissão. O que me fez repensar minhas aulas foi o fato de eu ter feito outra faculdade e prestar atenção nas didáticas. Se que você é um bom professor e nós, seres humanos somos eternos alunos. Agradeço por esse texto e a exposição de novas ideias é sempre bem vinda.

    Resposta
  • 10 de outubro de 2017 em 15:37
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    Sempre participei e nunca vi problema nisso, antes era algo obrigatório e hoje em dia passa quem quer. Para quem está fora desse costume é algo que soa realmente bárbaro. Gosto muito dos seus textos, vídeos etc… pq vc tem me feito ver uma academia de Jiu-Jitsu de uma forma bem diferente.
    Começando por entender que as academias nada mais são do que prestadoras de serviço e uma vez que isso fique claro, muitos dos conceitos “tradicionais” mudam.

    Parabéns pelo texto, muito bacana até saber de onde surgiu isso.
    É legal conhecer a história do jiu-jitsu.

    Ainda dentro do tema “tradições da graduação”, você já viu esse vídeo aqui?
    https://www.instagram.com/p/BaEm1KvHKyR/

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  • 10 de outubro de 2017 em 15:39
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    Como no relato do Professor, a questão maior são pessoas de fora vendo isso e até mesmo colegas que estão nas primeiras aulas. Temos corredor na nossa academia, eu inclusive fiz exame e passei pelas faixadas estando grávida de 7 meses. Todo o exame e cerimônia da graduação é assistido pelas famílias e quem mais quiser, porém no momento do corredor somente quem é aluno e graduado participa!

    Resposta
  • 10 de outubro de 2017 em 16:00
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    Eu não gosto, fui criado com essa história tbm de corredor. Tentei abolir, porém é difícil os próprios alunos querem, aos poucos estou tentando mudar isso. Eu tbm não gosto muito da ideia de “Exame de faixas”.
    Eu vim do judô, e todo ano tinha o tal do exame. Os alunos decoravam faziam certo no dia e passavam, porém raramente a maioria colocava em prática durante os treinamentos.
    Lembro que no meu exame de faixa azul, eu fiquei nervoso mas vi tudo. Vi tbm um faixa roxa que era sinistro na época TRAVAR no exame e não pegar a faixa. O Mais justo ao meu ver é a avaliação diária é individual tendo em vista a disponibilidade de cada aluno , a evolução e o envolvimento que ele tem com a arte Marcial.
    Muito bom seu post
    Obrigado
    Osss

    Resposta
  • 10 de outubro de 2017 em 16:03
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    Desde a faixa branca reprovo o corredor, nunca bati e nunca entrei em um, sempre me respeitaram, mas sempre fui julgado por isso também.
    Eu acho muito bom que um dos mais respeitáveis professores, mostre que é um erro a violência, a técnica sim tem q ser julgada não o quanto a pessoa aguenta apanhar.
    Parabéns pelo relato, e pela visão de ter errado, assumir um erro e corrigir, isso sim prova seu valor.

    Resposta
    • 11 de outubro de 2017 em 00:15
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      Mestre, não sou o Gordo, tenho o nome semelhante ao dele, o que considero uma honra…
      Se for possível, gostaria de alguns conselhos, pois planejo abrir uma academia de Jiu Jitsu, será que o senhor poderia entrar em contato?

      Robertocorreajunior@gmail.com

      Resposta
      • 11 de outubro de 2017 em 06:56
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        nome de campeão! manda e-mail pelo contato do site com suas duvidas que tento te ajudar
        um abraço

        Resposta
    • 11 de outubro de 2017 em 09:23
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      Acho que o corredor deveria acabar sim , essas faixadas dói de mais ,sou a favor do fim do corredor ??

      Resposta
  • 10 de outubro de 2017 em 16:06
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    Muito bom mestre!! Sempre coerente!! Alguns falam em TRADIÇÃO… mas não conhecem a tradição!! Vc é uma lenda viva do Jiu Jitsu e tem toda a propriedade pra falar!!!

    Resposta
  • 10 de outubro de 2017 em 16:14
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    Bom Mestre eh aquele que sempre está reavaliando seus conceitos, e com humildade para aceitar que errou. Parabéns General. Abs da Costa Rica.

    Resposta
  • 10 de outubro de 2017 em 16:17
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    A um bom tempo venho pensando sobre isso em todos os aspectos, sigo da mesmo pensamento e opnião. Excelente colocação!!!

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  • 10 de outubro de 2017 em 16:18
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    o mestre André Ushirobira, de Ribeirão Preto, substituiu o corredor por uma queda de cada aluno presente na graduação! Gesto simbólico! oss

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  • 10 de outubro de 2017 em 16:20
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    Também bani o “Corredor” dos exames de faixa por mim orientados. Nossos exames aqui tem uma parte técnica e uma prática exaustiva. Já é o suficiente.
    Acredito que o “Corredor” acabe por alimentar o frenesi do lixamento. Prática contrária ao espírito das artes marciais. Minha reprovação justifica-se muito mais por cuidados com o espírito dos que batem… do que com a integridade dos que apanham.

    Prof. Fábio, parabéns pela visão.

    Grande abraço de Recife/PE.

    Resposta
  • 10 de outubro de 2017 em 16:30
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    Fabio, seu texto e uma bela reflexao, pois os exageros no corredor polones , invariavelmente acontecem.
    E muitas vezes por mais graduados.
    O que vira uma agressao , que nao e do esporte.

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  • 10 de outubro de 2017 em 17:34
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    Gostaria de registrar aqui minha humilde opinião sobre o assunto! Comecei a treinar jiu jitsu na Lótus Club em 1996. Hoje sou faixa preta de jiu jitsu 3 graus e dou aulas em minha academia. Desde sempre enfrentei o temido corredor. Não apenas em graduações, mas já passei em corredor por faltar em aula, como presente de no meu aniversário, por perder luta e é claro, em graduação!

    Fico feliz de ler que quem “inventou” o corredor foi o grande Fábio Gurgel! Sou um admirador da história e raiz do jiu jitsu e gosto de contar isso para meus alunos.

    Embora o corredor seja mesmo assustador para quem o vê e até para quem sabe que vai passar por ele, acredito que se ele for abolido de ser usado em qualquer motivo, a qualquer hora, já seria um avanço… Na minha academia por exemplo, aluno não passa no corredor, exceto em dia de graduação… Como disse alguém, faz parte da tradição, embora eu saiba aogra que essa tradição não é tão antiga… Começou com o grande Gurgel há quase 30 anos atrás…

    No relato do professor Fábio, acredito que o que tenha causado extremo temor na mãe do aluno, tenham sido inicialmente os gritos de “uh! Vai morrer!”. O que também acho um extremo absurdo!
    Se o aluno vai passar no corredor, acredito que algumas regras devam ser seguidas:
    1) Menores de idade não devem passar.
    2) É proibido bater no rosto!
    3) É proibido segurar!
    4) É proibido derrubar!
    5) É proibido ameças!
    6) Quem desobedecer as regras será punido com suspensão!

    Ademais, colocado tudo isso em prática, o que na minha academia é feito à risca, tenho que me preocupar com coisas bem mais problemáticas, do tipo: palavras de baixo calão durante a aula, comportamento desrespeitoso do aluno com os outros, disciplina e bom exemplo dentro e fora do tatame.

    Acredito muito mais complexo de lidar e, me perdõe a sinceridade, muito mais importante, é cuidar para que não haja desrespeito de um homem para com uma mulher;

    para que aquele “foda!” que sempre teima de sair da nossa boca, não contamine o ambiente frequentado por moças e crianças e ás vezes mães e pais.

    Para que alunos e professores tenham cuidado de não ficar contando suas aventuras sexuais dentro do dojô…

    Por mais absurdo que pareça, um dia presenciei durante um seminário, um aluno aplicar um triangulo e (me perdoem a expressão!) peidar no outro aluno, desafiando esse a sair. Também soube da historia de um renomado lutador que não admitia perder, e ao tomar um triangulo fatal e sem conseguir sair, pressionar seu dedo contra o ânus do seu adversário. Coisas na minha opinião, que transformariam o temido “corredor” em um verdadeiro amor de qualquer mãe.

    Eu passei em corredor em todas as minhas graduações e sempre senti medo dessa hora e ao mesmo tempo sonhava com isso! Sabia que depois do corredor, eu me sentiria recompensado com minha nova faixa que tanto fiz por merecer!

    Acredito que se encararmos o corredor como uma forma de batismo, de ritual, de passagem para uma nova fase, com consciência dos nossos atos, respeitando a pessoa que está passando e sabendo que aquele que está ali é meu amigo de tatame, o temido corredor, terá apenas mais uma lembrança boa na minha memória dentro do tatame.

    Abraço!

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  • 10 de outubro de 2017 em 17:50
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    Mestre Fábio Gurgel é um expert quando o assunto é Jiu-Jitsu. Parabéns professor principalmente pela humildade em assumir os erros que todos nós professores cometemos. Quanto ao assunto em questão acho importante preservar as tradições do esporte. Mesmo que ela tenha nascido através de uma brincadeira em sua academia, se tornou uma tradição. Todos os esportes carregam tradições e é importante preservarmos a do Jiu-Jitsu BRASILEIRO. O Wrestling tem suas tradições, assim como no futebol americano o quarter back novato tem de carregar o material esportivo do titular por toda sua primeira temporada . Porém precisamos respeitar o aluno ( cliente ) também. Na minha academia aqui em Dallas temos o corredor porém o aluno só passa se quiser. É optativo e chamo de “traditional old school graduation ” . Sem constrangimentos ou pressão o aluno escolhe. 99% opta por passar. Parabéns Fábio por constantemente buscar a evolução do nosso esporte dentro e fora dos tatames

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  • 10 de outubro de 2017 em 18:27
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    Excelente artigo General, nós já abolimos esse ritual. Por motivos semelhantes ao da sua experiência. O aluno que chegou até a sua graduação já foi testado e foi achado digno de receber o seu mérito. Nao existe necessidade de provar mais nada. Grande abraço, Davi.

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  • 10 de outubro de 2017 em 18:39
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    Mestre Gurgel, boa tarde. respondendo à “enquete”, na minha eu faço, mas óbvio que a cada aluno sabemos como “dar a faixada”, e ensino isso a todos, ninguém sem noção da faixada além do que cada um pode receber e aguentar (pois sabe que o castigo viria a cavalo, rsrsrs)… Não gosto de exame de faixa, pois acredito que o professor analisa cada um o ano todo pra já saber se merece ou não ser graduado, mas óbvio minha academia tem poucos alunos, não sei como é uma academia que tem 500, 600 alunos. Talvez não exista receita de bolo e o que serve e funciona pra um não funcione pra outro.

    Oss

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  • 10 de outubro de 2017 em 18:41
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    Antes de mais nada, parabéns Professor Fábio pela sua nobre contribuição ao BJJ. Quanto a “tradição” do corredor apesar de popular tb acho desnecessário. Acho a ideia do exame de faixa algo excelente, tal qual acontece nas outras artes japonesas como judô e karatê, inclusive acredito que o BJJ deveria se aproximar mais das tradições nipônicas o que proporcionaria uma maior troca de cultura e maior integração com as outras modalidades.

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  • 10 de outubro de 2017 em 19:27
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    Assunto muitíssimo bem abordado, infelizmente, apesar de uma brincadeira, e apesar do professor pedir que tenham cautela etc, nunca se consegue ter o controle de todos, e sempre haverá uma margem grande para que haja acidentes etc. Eu já passei em corredor, e pra mim foi traumatizante, é algo que não vejo a mínima necessidade.

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  • 10 de outubro de 2017 em 19:42
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    Também já participei de muitos corredores, mais desde que comecei a dar aulas, ainda como faixa roxa em 1990, nunca utilizei este meio nas graduações dos meus alunos.
    Sinceramente acho uma coisa que não agrega, imagina os pais e familiares de um aluno que estejam assistindo uma cerimônia de graduação do seu filho e depois da felicidade de vê-lo receber a nova graduação, passa a ver ele ser espancado por faixadas.
    Concordo com vc professor e no que fala em seu texto.
    Osss !!!

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  • 10 de outubro de 2017 em 21:09
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    Sempre falei sou contra o corredor polonês em academias de Jiu Jitsu na academia dos Gracie eles não faziam isto, por que então as outra devem fazer, e ainda falam que é por causa da tradição.

    E mais em que isto ajuda os alunos?

    Resposta
  • 10 de outubro de 2017 em 22:48
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    Grande Mestre Fábio Gurgel!

    Compartilho da mesma opinião à respeito do assunto. Inclusive, nunca passei e nunca permiti tal ritual em minha academia.
    Não vejo sentido bater em um colega por ele ter sido graduado. Bater para nós é perder.
    Na minha academia o ritual da graduação é a seguinte…
    Todos os recém graduados terão que “rolar” com todos seus amigos que estiverem presentes, começando pelos mais graduados. Não enxergo forma melhor de comemorar aquele momento com todos aqueles que lhe ajudaram nessa conquista. Dependendo do número de pessoas presentes, a gente marca 2 ou 3 minutos com cada um. Eles terminam o ritual super cansados, mas se divertem e ainda fazem o que gostam.. Rolando com os amigos!

    Forte abraço e muito obrigado pelo grande exemplo que você é para o nosso esporte. Oss

    Resposta
  • 11 de outubro de 2017 em 02:35
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    O pior não é tanto o corredor.. e sim a prática do apagão… Sou iniciante no JJ e já presenciei um exame de faixa na academia q treino.. de tantas reclamações o corredor foi abolido este ano.. mas o apagão continua.. o graduado recebe a faixa no rola e é apagado por todos os black.. já pensou receber 15 desmaios em seguida..? Putz..

    Resposta
  • 11 de outubro de 2017 em 03:04
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    Sempre achei o corredor umas das passagens mais legais da graduação, quando comecei no Jiu Jitsu em 1999 já havia muito isso, na época treinava com o mestre Moisés Murad da lótus clube de SP, a visão era outra também, quem treina jiu treinava por amor e não com o intuito de perder peso, o cara era ogro, casca grossa e sangue no olho, víamos em atletas mais graduados um exemplo a ser seguido mas como o esporte se comercializou muito e não critico pois as academias dependem de seus alunos, o mímimi tomou conta, gente reclamando muito sobre isso ou aquilo, no tatame estamos para dar o sangue, dispostos a sempre nos superar e vejo no corredor um ritual de superação sem nenhuma forma de agressão ao próximo, como meu atual professor fala, “não há sinal maior de respeito que entregar seu braço a um amigo” se podemos confiar tanto assim, podendo os causar uma lesão muito mais seria, o que eh passar em um corredor ao final de um exame de faixa ?

    Resposta
  • 11 de outubro de 2017 em 06:37
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    O corredor não deve ser utilizado como referência graduação, isso não é resistência! !! A graduação deve ser feita pela técnica apresentadabdirante os treinos, a conduta dentro do tatame e na vida. Comemorar com o corredor não há problemas desde que o professor forma em sua academia amigos, uma família, onde existem regras em que região no corpo não pode ser batido. Na minha academia funciona bem.O professor tem autoridade sobre a equipe pra fazer deste momento um momento apenas de alegria OSS.

    Resposta
  • 11 de outubro de 2017 em 08:57
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    Bom dia
    Ótimo assunto
    Já pensei isso e até já graduei aluno sem “corredor” dou alunas principalmente para crianças , por isso eu acho que a graduação e merecimento e “festa” a “dor” eles sentem no dia dia, provavelmente partir de agora eu siga isso em todas as minhas graduações, oss

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  • 11 de outubro de 2017 em 09:13
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    Parabéns, Fábio! O jiu-jitsu precisa de personalidades como a sua para que certas culturas antiquadas e desnecessárias saiam do jiu-jitsu. Muitos não entendem devido aos seus professores terem se afastados de suas origens ou até mesmo fizeram parte de outra linhagem que não da família Gracie. Já que a lendária academia Gracie, no bairro Centro, no Rio de Janeiro, é até hoje um exemplo de gestão de escola. Entendo que você deva sofre muitas dificuldades na rede Alliance para acabar com essas e outras culturas. E por isso deve estar tentando o mesmo com os donos de escolas que buscam evoluir. Acho legal você oferecer essa sua experiência de gestor de sucesso!

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  • 11 de outubro de 2017 em 09:16
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    Fico extremamente dividido, concordando com vários post aqui que apoiam e também desaprovam. Já olhei com olhos de pura selvageria mas também como parte de um ritual de passagem, um trote parecido com o das faculdades.
    Na minha academia, depois de todas as trocas de faixa formamos o corredor, de maneira moderada, sem excessos, mulheres, crianças, jovens, competidores, praticantes, partindo do mesmo fundamento dos treinos que é treinar forte mas evitar machucar o parceiro.

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  • 11 de outubro de 2017 em 09:40
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    Em nossa academia Ferreira Behring tínhamos o corredor muito antigamente e nosso Mestre Sylvio sempre nos deixou norteados que abominava, pois onde um exagera todo o contexto da brincadeira perde o sentido. Não existe mais, pois as crianças e pais que estão de fora entendem como citação a violência e isso não é bom, é uma visão que deixa todo um trabalho sério em xeque. Meus professores entenderam ,assim como o senhor Professor que não haveria mais necessidade. Os hábitos mudaram no contexto geral. Não é filosofia, não é obrigatório, não te deixa melhor, então não nos serve. Grande texto, postura incrível e a sabedoria de um homem do bem. Máximo respeito! Forte abraço de um fã. Oss

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  • 11 de outubro de 2017 em 10:05
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    Oi professor Fábio, acompanho o Sr. Desde que entrei no BJJ, em 95. Nos meus primeiros exames, não havia o corredor, mas em 98 mais ou menos, também aderimos na Lotus Club, o polemico corredor. Eu sempre fiquei meio assustado com o corredor, acho que por não enxergar, isso maximiza um pouco! srs. Eu faço do Alessandro Capodeferro, as palavras dele as minhas. E alem de menor não passar, mesmo os adultos que não queiram passar, não são obrigado, só tendo uma observação, quem não passa, também não bate.

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  • 11 de outubro de 2017 em 10:52
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    Sou a favor do corredor polonês passando apenas uma única vez e sem excesso. É uma brincadeira e todos aceitam assim. Aliás só quem passou sabe disso e nunca esquecerá. Aliás quando ganhei a minha faixa marrom alguém da Turminha (Francez, Petroni, Borgo, Edu e/ou Orlandinho) me derrubou e tive que voltar e passar de novo. Sim ao corredor uma única vez e sem excesso. Aliás também acho que deveria ter a tradicional queda após o corredor. oooooooossssss

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  • 11 de outubro de 2017 em 11:54
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    Sou novo no esporte (faixa azul), mas dou aula em um projeto social que montei para melhorar a disciplina de estudantes de uma escola classe no Recanto das Emas – DF após ter sido autorizado pelos meus mestres Juquinha e Rogério Oliveira.
    Desde quando conheci o jiu-jitsu, passei a vê-lo como uma filosofia de vida que prioriza a técnica à força, a disciplina e auto controle ao temperamento explosivo. Na equipe da qual faço parte não presenciei em nenhum momento o “temido” e “exaltado” corredor, alguns alunos que tenho, crianças e adolescentes, até me perguntaram se faríamos isso porque na academia de fulano e sicrano acontece. Minha resposta sempre foi simples: “Não”.
    O jiu-jitsu para mim foi apresentado como algo que não está ligado à agressão ao outro, mas como uma forma de você poder superar seus próprios limites e, se e quando necessário, superar aquele que venha a ser seu oponente em determinada situação.
    Meu trabalho está voltado para o crescimento pessoal desses jovens e o meu próprio, fato que não está ligado a uma forma de agressão para provar que é casca grossa para si mesmo ou para os outros. Quer se provar? Vá em um campeonato e volte como campeão, treine de uma forma que faça com que sinta orgulho de si mesmo, faça uma escolha certa quando todos ao seu redor estão fazendo o errado.
    Meu mestre Rogério Oliveira já citou o professor Fábio Gurgel em diversas conversas que tivemos sobre a noção de equipe, e um artigo onde um dos maiores ícones do esporte vem apresentar sua reflexão e a humildade para assumir que errou, por mais que para alguns seja uma forma de “tradição”, apenas demonstra que o jiu-jitsu tem.grandes exemplos para serem seguidos.

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  • 11 de outubro de 2017 em 12:24
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    Grande general, ótimo artigo!
    Tanto na academia onde treino quanto na academia onde dou aulas de Jiu-Jitsu não fazemos mais o famoso “corredor”, acredito assim como meu professor que isso não trás nenhum benefício para praticantes da arte suave e a tendência é cada vez mais dimiuir esse “ritual” com a evolução do esporte e popularidade do mesmo! Oss…

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  • 11 de outubro de 2017 em 12:29
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    Sou a favor, mas acho que nao deveria srr uma obrigação, participa quem quiser

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  • 11 de outubro de 2017 em 12:39
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    Fabão, vc ñ é apenas um ótimo professor de Jiu Jitsu; você é um ótimo professor. O q vc se propuser a ensinar, jiu-jitsu ou não, o fará sempre muito bem. Isso é pra poucos. Parabéns. Dito isso, é mil vezes mais difícil um exame de 3 horas da faixa marrom do q tomar faixadas num corredor de decerebrados. Oss.

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  • 11 de outubro de 2017 em 14:32
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    Eu penso que, sem abusos é uma brincadeira saudavel e mais uma vez a minoria ditando pela maioria.

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  • 11 de outubro de 2017 em 16:05
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    Mestre, respeito sua opinião e embora o corredor polonês seja algo meio que “medieval” é tradição e já esta incorporada ao jiu-jitsu.

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  • 11 de outubro de 2017 em 16:24
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    Grande Fabio

    E teste de samurai que algumas equipes aplicam?

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    • 11 de outubro de 2017 em 18:26
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      Os relatos que já escutei são terríveis mas como nunca vi não posso comentar, porém qualquer coisa que se aproxime de uma violência descabida eu sou contra, não vejo nenhum beneficio

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  • 11 de outubro de 2017 em 17:00
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    Ótimo post feito por alguém consciente e responsável!
    Deveria ser feita somente pelos FAIXAS PRETAS quando o aluno atingisse a FAIXA PRETA, SÓ! Porque faixa preta é responsabilidade e tem mais auto controle, o cara vai lá para “batizar”mesmo e não para machucar até mesmo de uma forma que acidentalmente atinja pontos sensíveis do corpo, como os olhos.

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  • 11 de outubro de 2017 em 22:16
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    Excelente texto, General. Fui atingido no testículo quando peguei minha faixa azul e muito constrangido por me negar a passar no restante do corredor, a ponto de dizer que abriria mão de tudo se me forcassem a continuar, isso lá na Cohab com a presença de todos os alunos e seus convidados. Esse corredor é uma aberração.

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  • 11 de outubro de 2017 em 23:01
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    Sou faixa roxa e já passei por 3 equipes. Nunca concordei com esse tipo de atitude. Acho muito desnecessário. O que aprendi e li sobre essência do jiu-jitsu nunca falou isso. Na maioria das vezes há exageros. Sou a favor até das quedas, mais o corredor machuca demais e ao contrário do que muitos pragam não é uma demonstração de companheirismo ou de espirito de equipe e sim um espancamento que não prova qualidade do jiu-jitsu de ninguém.

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  • 12 de outubro de 2017 em 01:10
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    Todas as vezes que eu teve excessos.Anos atrás ,já vi um amigo ter a orelha sangrando, e em outra situação um com as costas sangrando ….O esporte é excelente a idéia de teste pode ser uma boa.é complicado

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  • 12 de outubro de 2017 em 09:20
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    Pratico essa arte a pouco menos de três anos, já presenciei inúmeras vezes amigos passando por esse “corredor”, inclusive a primeira vez que vi foi justamente com meu esposo, nesse tempo ainda não praticava e fui buscá-lo na academia pra fazer uma surpresa e no final do treino no momento da formação, alguém citou que tinha um aniversariante no meio deles, até então, eu estava me divertindo assistindo toda a farra, mas foi no momento que convocaram a todos pra fazer esse corredor, não entendia nada ainda e tentei imaginar o que iria acontecer. Sinceramente, fiquei horrorizada, inclusive foi até difícil conter as lágrimas, achei tão absurdo esse “presente”, mas enfim, conversei com meu esposo após esse episódio, questionei o por quê dessa violência, ele não soube explicar, mas disse que era assim mesmo, que todos passavam. Foi totalmente contra tudo o que eu havia ouvido diversas vezes, pois tudo o que eu já tinha ouvido falar, e que estava me cativando, era o fato dessa arte maravilhosa usar a técnica e não a força. Fiquei um bom tempo ainda pensando se iria praticar essa arte ou não, mas meu esposo me fez ver o lado bom, a parte que realmente importa e disse que eu não passaria por isso se eu não quisesse! Mas enfim, muito obrigada mestre por ter tido essa luz e principalmente por ser humilde em reconhecer que isso é abusivo e desnecessário e compartilhar isso conosco!

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  • 13 de outubro de 2017 em 08:32
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    Acho mais legal tomar queda dos alunos mais graduados. Faz mais sentido como “batizado”.

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  • 7 de dezembro de 2017 em 19:41
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    Boa noite, eu não sou do bjj, mas deixei de praticar uma arte marcial semelhante justamente por esses tipos de cerimônia, acredito que em um esporte de contato por luta, não há espaço para demonstrações de masculinidade/força sem fundamento, os excessos sempre ocorrerão, pois nem todos tem o mesmo comprometimento com a arte marcial que pratica, nem todos vêem seu colega de treino com o respeito devido. Percebo que muitos dos praticantes, independente de qual modalidade de luta, se envaidecem quando percebem estar – naquele momento – em um nível superior ao seu colega de treino, esquecem que a cada vitória sobre ele, lhe devem respeito por ter com ele aprendido, afinal não existe luta de uma pessoa só, e todos sempre aprendem, independente de quem bateu. Isto posto, fica muito arriscado, para o professor/mestre/sensei, ser responsável por tais cerimônias. Parabéns pelo post, e pela humildade demonstrada. Oss.

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  • 12 de dezembro de 2017 em 04:58
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    Sou contra, claro!
    Trabalhamos com crianças e isso é um péssimo exemplo!
    Covardia bater em alguém que tenta se esquivar correndo, cena humilhante, não desejo a ninguém!

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  • 30 de março de 2018 em 23:38
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    Legal ler isso Fábio. Há muitos anos sofro de depressão crônica e pensei que o Jiu Jitsu poderia me ajudar. Quando fui pesquisar sua academia, vi algumas fotos do corredor Polonês e descobri do que se tratava. Por motivos obviamente emocionais, percebi que talvez eu piorasse ao passar por isso e a conviver num ambiente em que essa prática nem ao menos era questionada. Isso me afastou. Depois de ler esse ser artigo, agora em 2018, depois de uns 10 anos, eu estou disposto a visitar a sua academia. Para muitas pessoas isso pode parecer um detalhe, mas para quem tem esse tipo de problema pode ser o fator determinante para o afastamento. Uma pena, porque imagino o grande potencial que jiu jitsu tem em ajudar quem tem essa doença.

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