TODO MUNDO QUER SER MESTRE!

 

Estou no aeroporto de Las Vegas voltando do Mundial de Masters e cancelaram meu voo, o que me fez perder minha conexão e tomar um chá de aeroporto de 12 horas, após mudar de voo, de assento e de rota para chegar ao Brasil ainda amanhã nao havia mais muito o que fazer , enfim coisas ruins que acontecem e temos que tentar tirar proveito de alguma forma, no meu caso resolvi escrever um texto sobre o que na minha opinião aconteceu de mais legal nesse final de semana, a graduação de vários mestres ao 7º e 8º grau respectivamente, peguei um café abri meu computador e aqui estou eu, vamos lá!
Tive o prazer de conviver e assistir a todos os mestres graduados no ultimo Sábado lutando e também de treinar com a maioria deles durante minha jornada no jiu jitsu, todos foram grande referências e exemplos para mim e ainda são.
Não preciso mencionar a importância que meu mestre Jacaré recém graduado ao 8º grau teve em minha vida mas de certa forma senti um orgulho de ter participado um pouco da trajetória mesmo que em menos escala de cada um ali, ver o jiu jitsu reverenciando as pessoas que tornaram possível a realidade que vivemos hoje foi emocionante.


A IBJJF esta de parabéns por esse reconhecimento, isso faz com que as pessoas que realmente fizeram nosso esporte sejam mostradas da melhor forma a todos que hoje brilham nos tatames. Esses mestres tem no mínimo 31 anos de faixa preta (7º grau) e alguns atingiram a incrível marca de 38 anos (8º grau) ensinando e vivendo o jiu jitsu na sua essência.
O ponto polêmico é que nem sempre a contagem foi assim e algumas pessoas ainda seguem o método antigo onde a cada 3 anos se ganhava um grau na faixa preta, isso funcionou por um período mas a modernização foi necessária pois mais pessoas passaram a viver do jiujitsu e trabalhar com ele e claro a praticar atividade física por muito mais tempo do que se fazia na década de 50/60, quando a regra foi criada, imaginem que nessa antiga contagem eu receberia esse ano meu 9º grau e seria faixa vermelha a mais alta graduação do jiu jitsu aos 47 anos, completamente fora do razoável ( eu ainda tenho um mundo para aprender e poder ser chamado de mestre), por isso foi mudado ha anos atras, claro que quem já estava graduado pela antiga contagem permaneceu na graduação mas deveria a partir desse momento ter se respeitado a nova regra o que muitos não fizeram.
O fato é que esses “mestres” receberam suas faixas sem o reconhecimento da entidade que rege o esporte e na maioria das vezes na presença de poucos alunos e por acelerarem o processo deixaram de vivenciar momentos como o desse fim de semana onde milhares de pessoas aplaudiram em reconhecimento aos mestres a nova faixa. Quase todos os que conheço e se graduaram antes do tempo (de acordo com a regra) tem conhecimento e historia dentro do jiu jitsu mas talvez o que eles não atentem é que a ação deles os isola do jiu jitsu de hoje e que esse isolamento é ruim para todos de nossa comunidade, definitivamente não precisamos de divisões e sim de participação de todos pela melhoria de nossa arte seja no aspecto técnico, competitivo, empresarial, metodológico ou de qualquer outro aspecto que interesse aos praticantes de jiu jitsu, ninguém é capaz de fazer o jiu jitsu ser do tamanho que ele merece sozinho, todos deveriam participar e falar a mesma lingua pela evolução.


Terei orgulho quando meu dia chegar e espero ir até final da linha e receber minha faixa vermelha na idade minima possível aos 69 anos de idade mas até lá o que me preocupa todos os dias é ajudar a comunidade a levar o jiu jitsu ao mais alto patamar possível e minha graduação é muito pequena perante esse desafio ao ponto de eu nem pensar nela.
Espero que tenhamos cada vez mais oportunidades para todos que vivem do jiujitsu e que os EGOS que tínhamos quando competidores diminuam em prol de ajudarmos uns aos outros e todos o jiu jitsu!

Abraço

Fabio Gurgel

17 opiniões sobre “TODO MUNDO QUER SER MESTRE!

  • 29 de agosto de 2017 em 05:27
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    General….sempre com sábias palavras…Parabens aos Mestres e vida longa a nós professores ..para que um dia podemos alcançar tamanha HONRA!!!

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  • 29 de agosto de 2017 em 09:27
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    Bom dia mestre Fábio Gurgel, sou apenas uma gota no oceano do JiuJitsu. Acompanho e admiro demais seu trabalho, não só pelo time de competidores, que dispensa comentários e sim por toda metodologia de trabalho que é diferenciada no esporte. Posso observar em seus vídeos e comentários que está à frente do nosso tempo, que é um visionário. Mestre só escrevi pois senti vontade de expressar o quanto você é valioso para o esporte, sei que está cansando de receber esse tipo de elogio, mas eu precisava dizer. Não sou bom com palavras rs; mas deixo aqui meu comentário. Que Deus continue lhe dando forças e sabedoria para continuar.

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  • 29 de agosto de 2017 em 11:26
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    Sábias palavras ???????

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  • 29 de agosto de 2017 em 23:57
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    Boa noite Sensei Fábio Gurgel!
    Parabéns pelas colocações, a sabedoria se manifesta com inteligência associada experiência em determinado seguimento, e no Jiujitsu a sua sabedoria supera todas as expectativas.
    Ao Sensei no hey!

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  • 30 de agosto de 2017 em 08:43
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    Concordo em partes … De fato o tempo para graduação e suas limitações se faz necessário, porém a ibjjf criou a faixa vermelha e branca algo que não condiz com a tradicional escala de faixas deixada por Carlos e Hélio desde 1967, quando a então federação do Rio de Janeiro foi criada . Se pensarmos em hierarquia está deveria ser as cores no formato adulto a serem respeitadas e a partir daí se colocar limites de tempo se estes não existiam e até mesmo faixas infantis . Mas o formato adulto deveria ser respeitado . Hoje se tem duas grandes federações ibjjf e uaejj ambas no meu ponto de vista com a mesma força e temos a terceira jjgf que não tem a mesma expressão , mas surge com a missão educacional e com respaldo de grandes faixas vermelhas do esporte , aonde a ibjjf peca. Sou grande fã de Rickson que recebeu a faixa vermelha de dois faixas vermelhas Rorion e Álvaro Barreto antes de completar o tempo mínimo , mas mesmo assim hoje está dando seminários com sua faixa coral, mantendo seu ideal de regulação do esporte . Acredito que a união faz a força, mas enquanto federações tiverem donos isso não ocorrerá, quando se existir eleições com chapas e presidentes eleitos democraticamente talvez um movimento único ocorra, pois o sistema de graduação da ibjjf foi definido por quem ? Quais GM deram aval ? São perguntas que carecem de respostas . No que tange o lado de competição todas estão de parabéns em organização, porém não acredito que se curvar a ibjjf seja a solução e as ideias de Carlinhos , deixando de lado nomes que consagraram o Jiu-Jitsu pelo mundo para que hoje a ibjjf tivesse o tamanho que tem.

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    • 30 de agosto de 2017 em 11:57
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      Oi Thiago,
      muito obrigado por seu comentario, apenas alguns pontos para esclarecimento, a faixa coral vermelha e preta também foi introduzida após as graduações definidas pela FJJRJ assim como as diversas faixas infantis e isso se deu pelo simples fato da necessidade de adequação a nova realidade do esporte, hoje a quantidade de pessoas que faz jiu-jítsu é muito maior e o previsto naquele tempo não funciona mais, imagine que as crianças ficavam 7 anos em uma faixa amarela, isso precisou ser mudado como tantas outras coisas. A comparação com a UAEJJ não me parece justa uma vez que esta simplesmente organiza torneios e não esta muito preocupada com nossa comunidade. Minha defesa é para que toda comunidade se una e siga a mesma regra pois isso sim agregaria ao nosso esporte, quem fez a regra disso ou daquilo é menos importante do que ter grandes mestres como Rorion e Rickson envolvidos de alguma forma. Obrigado por suas colocações e por pensamento contrario, a discussão em prol do melhor é sempre positiva, forte abraço

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      • 31 de agosto de 2017 em 00:55
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        Entendo perfeitamente seu raciocínio . De fato as faixas infantis se fazem necessária no aspecto motivacional e de continuidade das crianças no esporte . No que tange a questão da coral no caso vermelha e branca é de que ela foi introduzida em 2012 pela ibjjf, o que divide no aspecto visual , já que o membros da família Gracie não aceitam a introdução por questões de tradição. Não penso ao contrário Fábio ,.acho apenas que a Ibjjf apesar de seus esforços está longe de ser única, aberta e consensual. Sou a favor.da alternância de poder, pois a.exclusividade acredito não ser sadia em nenhum aspecto, todas federações fazem desta forma e a do BJJ deveria seguir a linha . Abraços e desculpa qualquer palavra mal entendida .

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  • 30 de agosto de 2017 em 13:16
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    Muito bom Fabio, sábias palavras! Continue no Do.

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  • 31 de agosto de 2017 em 11:43
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    Parabéns, à todos os mestres que por seus méritos foram reconhecidos, osss

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  • 1 de setembro de 2017 em 05:45
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    Concordo e aplaudo todas as colocações, Fábio, você já era faixa preta quando eu comecei a treinar, temos praticamente a mesma idade mas quando comecei a engatinhar nos tatames você já fazia batalhas históricas com Murilo e Amaury. Total respeito!

    Mas queria contribuir para a discussão e divergir um pouco. Não quanto à professores se graduarem antes da hora, não é o caso do Rickson mas de muitos que vivem na América, que colocaram a coral antes da hora. Quanto à isto, sou contrário também, as regras precisam ser seguidas por todos, permaneceriam os graus até a data em que entrou em vigor a nova graduação (creio que final dos anos 90? Gostaria de saber quando foi mudado, pois lembro que era de 3 em 3 anos) mas eles todos deveriam se adequar, não retroativamente, mas contando a partir de então conforme a regra nova.

    A minha divergência é somente quanto à introdução da faixa vermelha e branca no nosso esporte em 2012. Ela não alterou a contagem que já tinham alterado anos antes, apenas mudou a cor da faixa para quem tem o oitavo grau, e o Carlinhos o fez simplesmente para ser mais fácil distinguir ele dos primos que se graduaram antes da hora. Só que ao invés de ajudar, isto piorou, pois a coral só existe no nosso esporte, enquanto que no Judo e no JuJitsu (aquela porcaria de mistura de Caratê com Judô sem sparring que existe na Europa e na América) a vermelha e branca é dada desde o sexto grau, ou seja, colocaram uma faixa que eu vejo sendo usado em outros esportes de forma diferente, em detrimento de uma faixa que é exclusiva de nossa arte, e isto para mim foi um erro histórico, deveriam sim isolar aqueles que colocaram a coral antes da hora, não criar uma nova cor. Total respeito à quem foi graduado na hora, mas penso que seria muito mais bonito se mantivessem a coral para o oitavo grau, e que a IBJJF punisse os falsos corais não os deixando afiliar academias ou ter alunos competindo em seus eventos. Só acho. Parabéns pelo texto, muito sucinto e bem colocado.

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    • 4 de setembro de 2017 em 11:23
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      Grande Risada,
      obrigado por seu comentário, eu não vejo problema em termos uma faixa que existe em outras artes marciais pois isso já ocorre com todas as outras faixas que usamos, se ela foi criada para diferenciar o Carlinhos dos outros daqui a pouquíssimo tempo isso não fará diferença alguma, meu ponto principal é que o jiu jitsu não deveria se dividir e as pessoas que colocaram a faixa antes da hora deveriam ter uma oportunidade de serem resgatadas pela IBJJF e não excluídas como tem acontecido (isso é claro por atitude deles próprios que ao se graduarem de forma diferente se tornam excluídos do sistema). obrigado por suas colocações que engrandecem o debate, forte abraço

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  • 3 de setembro de 2017 em 00:15
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    Belo texto prof. Fabio Gurgel! Sou um grande admirador do seu trabalho e te acompanho pelas redes socais! Segue firme, vc tem ótimas ideias, um cara que ama o esporte e isso faz a diferença para a comunidade do Jiu-Jitsu! OSS

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  • 6 de setembro de 2017 em 15:10
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    Boa tarde Fábio. Achei bem interessante seu texto. Acho que as regras sobre as graduações mudam por necessidade, como no caso daa graduações infantis. Acho que o mal maior está nas graduações clandestinas, professores graduando alunos faixas pretas dentro da academia sem o aluno sequer ser federado ou mesmo sem o cumprimento do tempo mínimo estipulado para tal graduação. O sujeito ostenta uma faixa preta com vários graus, mas não tem sequer um registro na federação. O pior de tudo é que não se pode punir tal atitude, infelizmente no jiu-jitsu temos várias federações, confederações, etc… Se fosse no judô, por exemplo, seria fácil, mas no nosso esporte não há o que fazer. Quem pode fazer a diferença é o aluno, caso comece a pesquisar a vida do professor e da equipe antes de se inscrever na academia, procurar saber se o professor é realmente professor… Só assim teriamos condições de mudar alguma coisa. Mas estamos longe disso acontecer. Oss

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    • 6 de setembro de 2017 em 19:04
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      Obrigado Rogerio por seu comentario! sim essa missão não é fácil porém uma vez que nosso esporte fica mais conhecido e reconhecido e com o alcance da internet cada vez maior os alunos querendo ou não serão expostos a verdade e os professores clandestinos não terão mais espaço, podemos estar ainda longe mas se olharmos 20 anos para trás nunca imaginaríamos que estaríamos no nível que estamos hoje, então o importante é irmos trabalhando e fazendo o que acreditamos estar certo, se vai demorar 5 ou 50 anos não importa muito. forte abraço e bons treinos

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  • 16 de novembro de 2017 em 21:38
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    Salve grande general,sou praticante de jiujitsu e professor de wing chun,tenho me inspirado em suas ideias para conduzir minha recém aberta academia,confesso que são universos diferentes wc,jj.Tenho colocado algumas ideias em pratica e estou tendo uma melhora no publico.
    Continue fazendo esse belíssimo trabalho pelo jiujitsu e inspirando a todos artistas marciais com suas ideias.
    Concordo plenamente com você ser mestre somente na hora certa.

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    • 28 de novembro de 2017 em 11:31
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      Marcio, obrigado por sua mensagem, tenho uma história muito boa e importante com o Wing Chun
      conto ela no proximo video, fique ligado
      forte abraço

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