Jiu Jitsu feminino, defesa pessoal ou esporte?

Era comum se escutar na década de 80 quando comecei a treinar e certamente antes disso também se ouvia que as mulheres não deveriam fazer jiu jitsu, apenas defesa pessoal, era assim que a academia Gracie entendia na época e isso era seguido por todos logo não havia quase nenhuma menina treinando jiu jitsu, devagar isso foi mudando e muitas que começavam na defesa pessoal se encantavam com a luta e queriam continuar evoluindo e o caminho era automático para o jiu jitsu chamado esportivo, até porque esse nada mais é do que uma evolução natural das técnicas de defesa pessoal.

Esse pré-conceito obviamente equivocado e impensável nos dias de hoje só foi quebrado como são tantos outros direitos conquistados pelas mulheres dentro de nossa sociedade ainda machista, pela vontade e coragem das primeiras meninas que decidiram treinar e competir jiu jitsu, nomes como Daniela Genovesi, Marcia Monteiro, Leka Vieira entre outras acenderam a primeira chama do jiu jitsu que temos hoje.

Mas faltava algo, o jiu jitsu feminino não chamava atenção, nos campeonatos o nível técnico era insatisfatório como era o numero de competidoras e ele foi perdendo força, os anos 90 não foram bons para o jiu jitsu feminino, até que surgiu uma atleta que carregava algo mais além da vontade de se testar e evoluir através do jiu jitsu, ela carregava o jiu jitsu no sangue, uma Gracie! Era o que o esporte precisava, Kyra Gracie fez os olhares se voltarem de novo para o jiu jitsu feminino, tinha técnica, beleza e linhagem, agora era uma Gracie levantando a bandeira das meninas e as portas se abriram, seguiu-se a esse fato as duvidas se ela seria boa de fato ou só teria nome? se alguém poderia vence-la e tudo mais que o esporte precisa para incendiar. Lembro de um mundial, 2008 se não me engano, assisti uma luta da Kyra contra a Luanna (nessa época ela não treinava comigo ainda) simplesmente eletrizante, disputada, técnica e com final controverso, era só mais lenha para o esporte deslanchar, Kyra foi campeã naquele ano, Luanna devolveria a derrota no ano seguinte e elas travariam várias batalhas entre si com vitórias de ambos os lados, já mostravam que a diferença técnica entre os homens e as mulheres se ainda existia era pequena e uma questao de tempo para desaparecer. Kyra levava o jiu jitsu feminino também para fora dos tatames, como estilo de vida ( vale a visita no BLOG LiveKyra) ao mesmo tempo atletas como Leticia Ribeiro, Michele Nicolini, Gabi Garcia, Luanna Alzuguir, Bia Mesquita, Luiza Monteiro entre outras transformavam o jiu jitsu em profissão, elevavam o nível do esporte e atraiam mais e mais meninas, essa foi a geração que consolidou o jiu jitsu feminino e transformou-o em uma realidade sem volta, hoje uma nova geração esta em atividade com atletas da qualidade de Mackenzie Dern, Tammi Musumeci, Andresa Corrêa, Nathiely de Jesus, Tayanne Porfirio, Dominyka Obelenyte, Monique Elias e muitas outras que já não devem nada em emoção, comprometimento e técnica aos homens e ainda mostram um clima de camaradagem e respeito quando competem que deveria ser copiado pelos marmanjos.Para maiores informações sobre essas atletas confira o ranking da IBJJF IBJJF Ranking

Enfim o jiu jitsu continua sendo a melhor e mais eficiente forma de defesa pessoal que as mulheres podem aprender mas é também um esporte fascinante e desafiador, essa é a resposta para a pergunta do titulo do texto.
Por ultimo gostaria de me desculpar por qualquer esquecimento que possa ter tido pois sei que vários outros nomes fazem parte dessa historia e merecem o reconhecimento mas a intenção desse texto é somente encorajar mais meninas a treinarem jiu jitsu! Minha academia Alliance SP tem hoje aproximadamente 10% de meninas, não tenho a ilusão que teremos a mesma quantidade de praticantes homens e mulheres no jiu jitsu como não teremos no futebol ou no ballet, mas acredito que esse numero pode crescer para 25 ou até 30% do numero de alunos, vamos trabalhar para isso e espero que todo o jiu jitsu faça o mesmo.

Você menina que leu esse texto tenho uma pergunta e gostaria de sua opinião, você acha que as meninas deveriam ter aulas exclusivas com foco na defesa pessoal e condicionamento físico ou que devem treinar misturadas com os meninos? Comenta aqui no post por favor

Obrigado

Fabio Gurgel

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13 opiniões sobre “Jiu Jitsu feminino, defesa pessoal ou esporte?

  • 6 de janeiro de 2017 em 19:58
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    O treino deve ser misturado com os meninos com certeza! Texto maravilhoso, parabéns!

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  • 7 de janeiro de 2017 em 02:06
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    O treino deve ser misturado com os meninos.

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  • 7 de janeiro de 2017 em 07:08
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    O treino deve ser misturado com meninos sempre!

    Resposta
  • 7 de janeiro de 2017 em 08:02
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    Faço jiu a pouco tempo ! E gosto no começo não entendia nada,mas as poucos to aprendendo.jiujitsu e evolução sempre.Sempre tem algo pra aprender, oss

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  • 7 de janeiro de 2017 em 11:20
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    É notório o destaque feminino no JJ, e constrangedor o fato de ainda existir pessoas que pensam que o JJ é uma “arte de homens”.

    quanto aos treinos, sou a favor do Treino misto… Oss

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  • 7 de janeiro de 2017 em 14:34
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    Você poderia introduzir no mercado uma classe da defesa do self às mulheres que não fazem jiu jitsu. Porque para os de fora, parece mais seguro não ter que lutar um monte de caras. Mas para as mulheres dentro do esporte, nós gostamos de jogar e lutar com os caras. É como lutar com seus irmãos. A única desvantagem é às vezes você obter algum cara estranho que só quer trabalhar com mulheres ou que sempre pede para trabalhar com você e, em seguida, não é divertido porque ele só tem alguns motivos estranhos para trabalhar com você, mas normalmente é muito mais divertido com Caras .. Leva tempo se acostumar a um esporte de contato completo, mas enquanto você aconselhar as pessoas no início que pode se sentir estranho no primeiro .. não é grande coisa.

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  • 7 de janeiro de 2017 em 23:40
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    Texto maravilhoso… obrigada por nos presentear com essas palavras. Concordo com os treinos misturados, é muito legal essa integração e interação entre homens e mulheres nos treinos.

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  • 9 de janeiro de 2017 em 15:01
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    Amo Jiu Jitsu! sempre treinei com homens, nunca tive muito treino feminino, hoje ja na faixa preta, sinto a diferenca, tenho muitas meninas pra treinar, mas acho importante ter uma aula de Jiu Jitsu feminino tambem, pois alguma mulheres se sentem melhor treinando com outras mulheres. Amei o texto Fabio! Parabens!!!

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  • 5 de fevereiro de 2017 em 11:29
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    Oi Fábio ….
    Eu nunca fui fã do separatismo , nunca achei legal escolas só para meninos ou meninas e continuo com a mesma linha de raciocínio no jj.
    Posso dizer que a cada dia que passa vejo que minha decisão de entrar na Alliance foi a escolha certa ,o nível cultural e de respeito é fantastico ,Nossos mestres são incríveis ” “simplesmente Heros”
    A vibe no tatame é algo contagiante e o treino dos atletas inspirador .
    Vou terminar com um convite para vcs mulheres que são intusiastas da arte suave a a virem para o tatame . Isto sim seria legal de ver !!
    Oss Mestre

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  • 9 de outubro de 2017 em 02:30
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    General,

    Adorei o texto! Estava pensando na minha carreira e vc teve uma influencia primordial, nao tive a oportunidade de aprender tecnicas com vc, por enquanto, mas suas atletas me motivaram a levantar da cama cedo e treinar todos os dias. Com elas tive as minhas lutas mais dificeis, minhas frustacoes e alegrias.

    Obrigada e seguimos caminhando para um futuro promissor do nosso jiu-jitsu.

    Conte comigo!

    Kyra Gracie

    Resposta

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